11 de abr. de 2013

UM PRO OUTRO

Calma, coração
Ainda há tempo
De sentir
O vento
Na cara
De vestir
A fantasia
Ouve, coração
Ainda é dia
De viver
Cantando
Simplesmente
Por uns trocados
Claro, coração
Afortunado
Pra você
É fácil.

9 de abr. de 2013

DOSIMETRIA

Quando se
muito depura
a poesia
fica dura.

8 de abr. de 2013

ENDUVIDADO

Gesto de afago seguro?
Arfar de súbita vontade?
Quatrocentos tons de liberdade?
Onde a mulher esconde o que eu procuro?

3 de abr. de 2013

AMOS

centri
fugo
forti
fico
liqui
feito

acre
dito
entres
safras
sobres
saltos

cadá
veres
ab
soltos
cruci
fixos

en
tornos
semi
deuses
nati
mortos

AUTOSSABOTAGEM

Torço pra me ver livre dos profetas
que anunciam um futuro evidente.
Sonhos, em geral, duram tanto quanto
o braço leva a poesia em frente?
Um poema de autoajuda, portanto.
Maldita poesia adolescente,
tipo mens sana in corpore sano.
Uma questão importa, no entanto:
ajustar o seu passado ao presente
ou impor a passada ao permanente?

2 de abr. de 2013

SEMÁFORO?

Eu sempre quis que a vida
fosse um sinal de trânsito.
O sinal não hesita:
verde é verde, vermelho
não parece outra cor.

Vida não é sinal
de trânsito, nem é
feliz, infelizmente,
simples, direta e reta.
É vida. Siga em frente.

19 de jan. de 2013

SUSSURRADO

Quando tudo era o contorno
Suas linhas se fizeram
Mais presentes no entorno
Do que penso, do que era.

Do que tudo que sabia
No instante em que fizera
As escolhas de poesia
As vontades, as quimeras.

Os instantes que passaram
Se revivem num segundo
O lampejo naufragado.

Como não me superaram
As tristezas desse mundo?
Vivo em frente – sussurrado.

17 de jan. de 2010

ANO NOVO

Novida
Novano
Novena
Partida
Velhano
Velhice
Convida.

16 de set. de 2009

A palavra no meu corpo

I – A TATUAGEM
Parte da palavra a centelha
Que cauteriza a carne do papel
Tatua fundo a face do poema
Prensa a tinta na brancura, indelével.

II – O PARTO
A caneta do poeta em desatino
Rasga o ventre prenhe da ideia
Aborta-lhe um garrancho prematuro
Que, declamado, não passa da traqueia.

III – O COITO
O devaneio encosta a língua
No pescoço da razão; apalpa-lhe o contorno,
Nela se insere, veste-a por inteiro,
E se apresenta, em poesia, qual adorno.

19 de ago. de 2009

O dia do meu corpo

A manhã vem e transita no meu corpo
como se fosse um gato que se esgueira,
todo lânguido e indecente e torto,
entre vários pés de cadeira.
A manhã é o meu horto.

A tarde, no meu corpo, tem o costume
de mostrar as esperanças desfeitas,
sonhos que a vida não trouxe a lume
e os amores que o peito estreita.
A tarde traz o azedume.

É na noite que meu corpo se situa
pós poente, cabeça, coração
a alma roça o dorso da lua
e enfim se explica tal paixão -
- é na noite que ela atua.