Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

19 de jan. de 2013

SUSSURRADO

Quando tudo era o contorno
Suas linhas se fizeram
Mais presentes no entorno
Do que penso, do que era.

Do que tudo que sabia
No instante em que fizera
As escolhas de poesia
As vontades, as quimeras.

Os instantes que passaram
Se revivem num segundo
O lampejo naufragado.

Como não me superaram
As tristezas desse mundo?
Vivo em frente – sussurrado.

17 de jan. de 2010

ANO NOVO

Novida
Novano
Novena
Partida
Velhano
Velhice
Convida.

16 de set. de 2009

A palavra no meu corpo

I – A TATUAGEM
Parte da palavra a centelha
Que cauteriza a carne do papel
Tatua fundo a face do poema
Prensa a tinta na brancura, indelével.

II – O PARTO
A caneta do poeta em desatino
Rasga o ventre prenhe da ideia
Aborta-lhe um garrancho prematuro
Que, declamado, não passa da traqueia.

III – O COITO
O devaneio encosta a língua
No pescoço da razão; apalpa-lhe o contorno,
Nela se insere, veste-a por inteiro,
E se apresenta, em poesia, qual adorno.

19 de ago. de 2009

O dia do meu corpo

A manhã vem e transita no meu corpo
como se fosse um gato que se esgueira,
todo lânguido e indecente e torto,
entre vários pés de cadeira.
A manhã é o meu horto.

A tarde, no meu corpo, tem o costume
de mostrar as esperanças desfeitas,
sonhos que a vida não trouxe a lume
e os amores que o peito estreita.
A tarde traz o azedume.

É na noite que meu corpo se situa
pós poente, cabeça, coração
a alma roça o dorso da lua
e enfim se explica tal paixão -
- é na noite que ela atua.

24 de jul. de 2009

Quadra das águas

O leito do rio traveste
De passageira a água que vai
Mas a água sempre está lá
E ao mesmo tempo o rio reveste.

Quadra da paciência

A chave da paciência
É não ter expectativa
Não botar nos ombros da vida
O que não cabe na consciência.

12 de jul. de 2009

Notas do primeiro encontro

O riso depois do tempo
Dura mais e é mais intenso
Que o tempo que foi roubado
Do siso, lembrança-alento.

Os olhos do outro riso
brilham mais e são mais densos
que os olhos que se viam
no avesso do sentimento

Assim se descobre a chance
de amar completamente
como se fosse bem fácil,
Embora tão pouco frequente.

E nada importasse – somente
o riso de quem amasse.
e apenas valesse à gente
que o brilho dos olhos voltasse.

Ao Encontro

Quando tomo tua palma
Eu transbordo de sossego
Sinto muito menos medo
dos calos que marcam a alma
Sinto preguiça do tempo
e ansiedade na falta
vejo como eu não era
e como não sabia, pudera,
o jeito certo de te prender.
Fito-te, enfim, mudo, telepata,
Inundo teu colo de águas
e, vitorioso, deixo-me vencer.

15 de jun. de 2009

Microfuga

Aponta nota a nota
Prontamente desenvolve
Ponto a ponto
Contraface
Na fração do tempo
Pulso, pulso,
Frase, frase, frase.